A solução é política

Publicado em: 19/08/2019

Confira a coluna de Adalberto Paulo Klock.

A solução é política

Em 1991 graduei em ciências jurídicas e sociais pela FADISA. Fiz o curso durante a elaboração da Constituição de 1988. Acreditávamos que as instituições conduziriam o Brasil, apesar da política. Decorridos quase 30 anos, constato o erro. Sem a política, não há solução. E mais, somente a política poderá salvar o Brasil do atoleiro que nos enfiamos com Moros e Dalagnois, ou seja,  juízes e promotores políticos em órgãos técnicos que nunca deveriam ser políticos.

Por isso é absolutamente fundamental falarmos e entendermos a política, não como paixão, mas como ciência, como tecnologia para propiciar a melhor gestão pública conforme quer o povo, e não conforme os interesses dos grandes conglomerados econômicos e financeiros.

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Voto suicida!

Para não mais correr o risco de cometer voto suicida, vou tentar explicar como escolher cientificamente em quem votar. Inicia-se a escolha sempre analisando primeiramente o partido. Mas, para analisar o partido é necessário fazer pequeno exercício de pesquisa sobre as votações no Congresso, escolhendo projetos de leis importantes para você.

Bom, vamos fazer uma simulação hipotética: escolhemos cinco projetos e 9 partidos, de 1 a 9. Anotamos hipoteticamente então como cada partido orientou o voto, considerando que “DIFERENTE” é o voto contrário ao que você defende, e “DE ACORDO” é o voto conforme a sua opinião.

 

DIFERENTE

 

DE ACORDO

Venda do Pré-Sal

1

2

 

4

5

 

7

 

9

     

3

   

6

 

8

 

Terceirização

1

2

   

5

     

9

     

3

4

 

6

7

8

 

Reforma Trabalhista

1

2

   

5

     

9

     

3

4

 

6

7

8

 

Diretrizes Educacionais

1

   

4

5

 

7

8

9

   

2

3

   

6

     

Reforma previdência

1

2

 

4

5

 

7

 

9

     

3

   

6

 

8

 

Nesta situação hipotética teremos:

I – Os partidos 1, 5 e 9 votaram sempre DIFERENTE do que você defendia.

II – Os partidos 3 e 6 votaram sempre DE ACORDO com sua posição.

Há também outros partidos com bastante DE ACORDO (como o partido 8), mas se esse bastante for inferior a 80% do que você defende, o partido não merece voto.

Feita a análise das votações, então se saberá quem lhe representa, e, no caso, são os partidos 3 e 6, porque eles sempre votaram conforme você queria e defendia.

Assim, descoberto qual partido merece o voto, partimos à escolha do candidato. Ele deve ser candidato desses partidos que sempre, ou quase sempre, votaram DE ACORDO com o que você defendia.  Feito isso, você nunca mais vai errar o voto, muito menos cometer o voto suicida, que agora explicarei.

Bom, aí sempre vem a famosa frase. “Eu não voto em partido, voto em pessoa. Não interessa o partido, mas se é boa pessoa.” Esse talvez seja o maior erro e mentira contada ao eleitor e que o transforma em um analfabeto político.

Com o devido respeito, mas quem vota na pessoa, sem considerar o partido, é apenas um sem noção e compreensão do sistema. Poderia ser Jesus o candidato, mas se ele pertencer ao partido que votou contrário ao que você defende, então simplesmente ao votar em Jesus, naquele partido, você estará dando ao partido, não ao candidato, uma “carta de anuência” para tudo o que feito pelo partido nas votações contrárias aos teus interesses, e mais, estará dizendo ao partido que você quer ainda mais daquilo contra você.

Assim, o voto em Jesus, mesmo boa pessoa, estará fortalecendo o partido que defende e vota em interesses públicos contrários ao que você defende. É um voto suicida, pois contra você mesmo.

Também jamais podemos esquecer que a orientação do partido deve ser obedecida pelos deputados e senadores, pois podem ser punidos caso votem contra a orientação. Assim, ainda que votando no “melhor candidato”, mas de partido ruim, mesmo assim o leitor estará cometendo o voto suicida, pois contra ele próprio. 

Cansei de ver as “colas” eleitorais espalhadas pelo chão após a eleição, com anotações de candidatos de variados partidos em um mesmo voto, uma miscelânea eleitoral. Esse, sem dúvida, é o voto suicida do analfabeto político.

Esse tipo de voto recorda o ator Anthony Hopkins no filme “No Limite”, onde ele esclarece que os que se perdem na natureza, por ignorância, fazem coisas erradas que, ao fim, os levam a morte. E complementa: essas pessoas morrem de vergonha pelos erros cometidos. 

Essa é a realidade da grande maioria dos eleitores do nosso país, porque eles não compreendem o que é e para que serve o processo político e seu voto, muito menos isso é explicado por quem tinha obrigação de fazê-lo, pela propaganda institucionais ou pela Justiça Eleitoral.

ADALBERTO PAULO KLOCK - servidor público.

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