A mentira e o amor (por Adalberto Paulo Klock)

Publicado em: 27/08/2019

A mentira e o amor

 

por Adalberto Paulo Klock (*)

A grande promessa das religiões, além de absolutamente impossível, nada mais é do que castigo terrível, o qual nem o mais desprezível dos seres do universo merece, ou seja: viver eternamente.

A astronomia já demonstrou ter o universo visível 12,7 bilhões de anos. E sabe-se, as estrelas, quanto maiores, mais rapidamente morrem. As menores, chamadas anãs vermelhas, durarão de 100 a 300 bilhões de anos. Após estas morrerem, o universo terá, por quintilhões de anos ainda, somente gigantescos buracos negros. E quando finalmente também estes se apagarem, o universo será sem calor, luz ou vida, e assim será para sempre.

A nossa insignificância no universo só não é maior do que nossa arrogância e ignorância. Em dimensões, se nosso planeta fosse o menor dos grãos de areia, o universo seria, no mínimo, do tamanho do planeta Terra, e nós humanos seríamos centena de trilhões de vezes menor que o menor dos grãos de areia.

Nossa galáxia, a Via Láctea, tem 150 a 250 bilhões de estrelas, a maioria anãs vermelhas. Estas são as mais amigáveis e, sabemos, permitem vida estável por bilhões de anos na zona habitável. Ou seja, só na nossa galáxia, que é do tamanho médio, há possibilidade de milhões de planetas com vida. E existem mais de 200 bilhões de galáxias no universo visível, e pode haver muito mais, que não conseguimos enxergar.

Acreditamos, ainda, na existência de um deus que criou tudo isso e, pior, é nossa imagem e semelhança. Absolutamente impossível, bem como sua principal promessa de vivermos eternamente no paraíso ou no inferno após a morte. Aparentemente onde for não importará, pois viver eternamente é castigo inominável, é o pior castigo imaginável no universo, seja onde for.

E aí constatamos o quanto de importância nos damos, e mais, o quanto ignóbil fomos e somos ao ponto de imaginarmos seríamos o centro do universo, e isso há pouco tempo, ou de que tudo criado para o nosso deleite.

A crença na vida eterna é espantosa, pois ela, a vida eterna, não é coisa boa, é sim um castigo horripilante. Imaginem viver para sempre. Viver e reviver sempre, dia a dia por centenas, milhares, milhões, bilhões, trilhões de anos. Não há como suportar tamanha pena, tão grave castigo, seja no paraíso ou no inferno. Nesta situação a morte seria algo tão agradável, tão benéfico a quem vivesse por toda a eternidade, que seria buscada com toda a energia possível. Quem vivesse eternamente, viveria eternamente buscando a morte, o fim de sua existência, para finalmente descansar.

Porém, o amor talvez seja a chave para explicar a existência, não na vida eterna, pois a eternidade terminaria até com o amor, mas sim a existência terrena, a real. O amor é a forma de se buscar uma vida plena e feliz aqui na terra. O amor faz compreender e querer o bem ao próximo, entender as diferenças, faz buscar a melhoria da espécie. E essa busca é só na vida, não pela eternidade, pois até o amor tem limite, e pode encontrar uma barreira de desgaste tal no tempo da eternidade que se transfiguraria em raiva, ódio e guerra.

Aqui na Terra a principal causa dessa transfiguração do amor é a não compreensão do seu sentido e da finitude da vida, da necessidade de se buscar a igualdade social entre todos, na falsa compreensão de que somos diferentes um do outro, criando-se gêneros humanos. Essa talvez seja a causa originária da ausência de amor no indivíduo, causa primária do ódio.

O amor, compreendido e aplicado, pode ser a maior ferramenta de compreensão do que somos, e de transformação do mundo que vivemos. É de sonhar, diante de nossa insignificância no Universo, com o dia em que o amor imperará sobre todas as relações, e então poderemos nos entender e viver em paz aqui na Terra.

 

(*) Adalberto Paulo Klock - servidor público.

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