A insignificância (por Adalberto Paulo Klock)

Publicado em: 30/09/2019

A insignificância

por Adalberto Paulo Klock (*)

Einstein dizia: “O Universo é estranho, mas ele é muito mais estranho do que imaginamos”.

Há tempo buscava explicar o tamanho do Universo, tarefa realmente ingrata. A intenção era apurar qual seria seu tamanho se o nosso Sol fosse de tamanho igual ao de um grão de areia miúda, aquela areia de 0,0045 mm e da qual se põe 204 grãos por milímetros.

Assim, resolvi ir aos cálculos. Constatei ser a coisa muito pior do que imaginava, pois, sendo o Sol, como sugerimos, do tamanho de um grão de areia miúda, o Universo seria de 298.399 vezes o tamanho do planeta Terra. Não acredita? Então vamos aos cálculos com os seguintes dados, sempre arredondados:

Tamanho do Universo:

=> Em anos luz: 93 bilhões multiplicado por 525.600 (minutos no ano) teremos 48,88 quatrilhões de minutos luz (Velocidade da luz = 299.000 km/s).

=> Tamanho do Sol em minutos luz = 0,66889% de um minuto luz (40 segundos luz).

Com esses dados é possível calcular que nos 48,88 quatrilhões de minutos luz do Universo caberiam 73,07 quatrilhões de sóis, e se o nosso Sol medisse o tamanho de um grão de areia 0,0045 mm, o tamanho do universo seria de 358,08 trilhões de centímetros. Dividido esse dado pelo número de centímetros do tamanho da Terra (1.2 bilhões de cm), teremos que o tamanho do Universo seria de 298.399 vezes o tamanho da Terra.

Cálculo:

93.000.000.000 x 525.600 = 48.880.800.000.000.000 / 0,66889 = 73.077.486.582.248.200 * 0,0049 = 358.079.684.253.016 / 1.200.000.000 = 298.399,74

Resumindo, se o nosso Sol tivesse o tamanho de um grão de areia miúda (0,0049 mm), o Universo teria o tamanho de 298 mil vezes o tamanho da Terra.

Agora imagine o nosso planeta Terra nesse contexto, pois ele é 1.300.000 vezes menor do que o Sol.

Definitivamente nossa insignificância no Universo é absoluta. Assusta imaginar termos, no passado, acreditado só existir nós nessa imensidão, e que tudo foi criada para nós. O Universo é tão grande que se milhões de planetas Terras fossem destruídos, ao Universo isso seria insignificante. Diante do Universo nós somos a insignificância da insignificância.

A insignificância da ignorância

Não basta ser insignificante, muitos humanos cultivam ainda a ignorância.

O discurso do Bolsonaro na ONU representou o quanto a ignorância pode levar a absoluta insignificância. E o insignificante é afastado, isolado, ignorado.

Um dia, quem sabe, possamos, pelo menos, deixar de ser um estado ignorante.

A greve contra a insignificância

Os servidores do Judiciário Estadual deflagraram greve em face de estarem, há quase seis anos, sem reajuste e pela desconsideração da cúpula do Tribunal de Justiça que pretende relegar ao ostracismo 3.400 servidores para poder economizar uns trocados (R$ 3,6 milhões por ano), que mal dá o que pagavam por mês como auxílio moradia aos 753 magistrados (R$ 3,3 milhões por mês). Lutam, os servidores, contra a insignificância imposta arbitrária, ilegal e antidemocraticamente à categoria.

Mas os servidores são culpados pela insignificância. Nunca pensaram no coletivo, somente enxergando seus umbigos. Os servidores, em sua maioria, votam em partidos que sempre votaram contra os servidores, sempre buscaram destruir o serviço público, e agora fazem greve para que deputados desses partidos votem diferente do que sempre defenderam e votaram.

Ora, quando se vota, se vota no partido, e se o partido sempre defendeu o fim dos servidores e do serviço público, o servidor que assim votou não pode querer agora que os deputados traíam o que sempre defendeu o partido. Nessa situação nós também acabamos ficando insignificantes por nossa omissão e em face da nossa ignorância política e social.

(*) Adalberto Paulo Klock é servidor público.

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