Fazimento

Publicado em: 5/04/2019

por Horácio Rodrigo Souza Rodrigues
Ainda sobre o ginásio Moroni, na trilha do que pode ou não ser feito com ele, tivemos a honra de ver nosso prefeito ir até a imprensa falar do que poderia ser feito

As possibilidades segundo o prefeito são três: Vender inteira a área ou em partes, construir outra coisa de uso público ou transferir para a Previrosa para saldar uma dívida para com este instituto. Em todas a possibilidade de restaurar o prédio não figura como possível.

Para quem ouviu ou leu estas declarações, parece que está tudo certo, pois esta é a única alternativa. Porém, no processo que culminou na tão comemorada decisão de que a prerrogativa do que fazer com o prédio é do executivo municipal, a coisas não parecem assim tão certas.

A discussão que é mais relevante à comunidade, sobre o patrimônio que o ginásio representa, na fala do prefeito a imprensa não aparece, porém no processo judicial (nº70080048127) sim. A própria prefeitura alega que a discussão sobre a importância histórico-cultural do ginásio está retratada pelo órgão competente, em sua defesa alega que isto não é mais objeto de disputa pois (palavras da própria decisão) “diante do conteúdo do ofício nº 287/2014/IPHAE, juntado aos autos, no qual consta que o bem em questão já está sob proteção do instituto e em análise para tombamento.”

Ainda em suas alegações à justiça, o município diz que estaria encaminhando um projeto de lei para a câmara para possibilitar a demolição. O desembargador que formulou a decisão ainda cogitou a “manutenção da condenação no que diz respeito à abstenção de demolição ou alienação do Ginásio sem autorização do IPHAE”. Porém, ele considerou que não era necessária tal condenação pois o município “em nenhum momento indicou que procederia de tal forma sem a respectiva autorização do IPHAE”.

Em outras palavras: A prefeitura foi na justiça para dizer que tá tudo certo, que estão esperando o IPHAE analisar a indicação para o tombamento e a demolição só acontecerá se for constatado que o prédio não é tão relevante à memória da comunidade. Depois foi a imprensa dizer que a derrubada do prédio já está decidida e que o que falta decidir é o que fazer com o terreno. Não encontrei outro termo para explicar esse tipo de atitude do que fazimento. Se faz de bonzinho para ganhar na justiça, depois mostra a cara e novamente se faz de coitado dizendo que não tem o que fazer, ou melhor, tem somente três opções.

Não parece muito que isto tudo é só para vender o terreno por que tem gente querendo comprar? A prova disso é que na mesma edição do jornal em que as três opções foram anunciadas já surgiram abutres contestando: Como assim opções, não ia derrubar e vender de uma vez? Como assim opções se a única opção era largar para a especulação tirar proveito!

Já pensou de onde vêm estes “interesses”?

*Horácio Rodrigo Souza Rodrigues é santa-rosense, Oceanólogo e Mestrando em Educação Ambiental. Pesquisa sobre problemas ambientais e conflitos socioambientais na região.

 

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