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Empatia (por Adalberto Paulo Klock)

Publicado em: 23/03/2020

 

Em época de pandemia, não basta gostar, precisa ter empatia. A definição de pandemia é: enfermidade epidêmica amplamente disseminada.

Vivemos o primeiro caso de pandemia reconhecido pela Organização Mundial da Saúde. Isso é extremamente preocupante.

Como se tem relatado, o COVID-19, ou coronavírus, trata-se de infecção que produz a síndrome respiratória aguda grave ( SARS ), ou o nosso tropical resfriado ou gripe. Ocorre que para o COVID-19 não há tratamento, por enquanto, e seu efeito grave leva ao óbito em poucos dias, especialmente de pessoas com deficiência imunológicas ou idosos. E o mais grave, a transmissão é exponencial, podendo duplicar os casos a cada dois ou três dias. Assim, tem-se a seguinte equação (D = dias e C = casos): 1D = 1C, 3D = 2C, 5D = 4C, 7D = 8C, 9D = 16C, 11D = 32C, 13D= 64C, 15D = 124C, 17D = 248C, 19D = 496C. Ao final de um mês (31D) teremos  32.768 casos. No 59º dia, teremos 536.870.912 casos. 

Na hipótese de se quadruplicar os casos de contágio a cada dois dias, teremos, ao final de 31 dias, 1.073.741.821 casos, e ao final de 35 dias a contaminação de todos do planeta.  

Muito embora haja relatos de casos de jovens que contraíram a doença, chegando ao óbito, de regra eram pessoas que já tinham alguma imunodeficiência prévia. As grandes vítimas são efetivamente os velhos pobres e sem condições de proteção e resguardo, ou pessoas com imunodeficiências.

É aí que entra a empatia. Empatia é muito mais do que gostar, do ter simpatia, É o sentimento que nos leva a se pôr no lugar do outro. Sentir como se fosse o outro. Significa, enfim, a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação da outra.

Vivenciamos tempos de egoísmo, de individualismo e de falta de senso de coletividade. O capitalismo isso produz, o indivíduo em seu próprio mundo, de seus méritos ditos exclusivos. Esse indivíduo, de regra, nunca sentiu empatia, ou pensou em um mundo coletivo no qual ele seria igual a qualquer outro, nunca pensou em um mundo solidário. O Egoísmo, a busca da satisfação pessoal, do hedonismo fácil e da vitória individual o trouxe a uma realidade onde nada é mais mortal do que esse sentimento individual e egoísta.

E assim ele sequer se preocupa com a possibilidade de espalhar o vírus, fazendo-o sem qualquer culpa, pois é jovem e saudável, e sabe que em sua condição é ínfima a taxa de adoecimento e muito menor a de óbito.

E mesmo que ele esteja transmitindo a doença sem ter sintomas, não é sua preocupação de que esteja levando-a para pessoas com imunodeficiência ou já idosos. Ou ele pode até pensar nisso, mas não se importa, pois foi ensinado pelo mundo mercantil e capitalista a ser individualista e egoísta, e quem irá morrer não é ele, pois ele nada pode perder, nem um minuto de sua preciosa vida.

Não escrevo isso, dos jovens, por tese ou presunção, mas por constatação. Considerando jovem entre 20 a 40 anos, idade quase imune a gravidade do COVID-19. Presenciei jovem afastado por presunção da doença, apresentando alguns sintomas, e prontamente foi à faculdade. Outros, que mesmo diante do flagelo que se apresenta com a primeira pandemia mundial, disse tratar de exagero e fantasia, exigindo a presença de seus trabalhadores. Estima-se que morrerão meio milhão de brasileiros pelo COVID-19, e serão, em sua maioria, velhos e doentes. .... Realmente nossa sociedade tem pouco respeito, educação e empatia pelos outros, especialmente pelos idosos.

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Doentio e medonho

Nada mais estarrecedor do que o mal exemplo. Dizem, um exemplo ou gesto vale mais do que mil palavras, e de que o exemplo demonstra do que realmente é feito o indivíduo.

O Presidente Bolsonaro é exemplo do exemplo. Já entrou, com méritos, no folclore da Presidência da República como capaz de barbaridades e sandices inimagináveis. Ganhou disparado do estrambólico Jânio Quadros, com seus passos de Chaplin e o proibir biquíni e rinha de galo. Porém, o Vassourinha, como ficou conhecido Jânio, era um homem inteligente, de excelente português e, dizem, fez uma boa administração como prefeito de São Paulo, reelegendo-se por duas vezes.

Acreditei que ninguém superaria o Jânio como expoente da bizarrice. Porém, a realidade sempre surpreende, e já dizia Einstein, “O universo é estranho, mas ele é mais estranho ainda do que imaginamos”. Assim é Bolsonaro, o mais bizarro dos presidentes brasileiros. E sua bizarrice está a custar o nosso patrimônio nacional, nossa soberania e, provavelmente, centenas de milhares de mortes só pelo COVID-19, afora as mortes por fome, desespero e pobreza. A medonheza é doentia. 

 

*Adalberto Paulo Klock é servidor público.