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O que se carrega no coração?

Publicado em: 14/05/2020

 

 

 

 

Em 30/07/2018 Bolsonaro participou do programa Roda Viva. Suas declarações foram relatadas por Bob Fernandes:

Bolsonaro, no Roda Viva, depende do distanciamento. Para quem gosta e se identifica com aquilo, foi prato cheio. Para outros, foi programa humorístico ou mais um capítulo na constituição de uma tragédia. O fascismo nasce em erros e esgotos de uma sociedade. Entregar a comissão de direitos humanos a fascistas, 2013, foi erro. Bradar e destilar contra a corrupção e entregar o país a corruptos e depois se calar, foi erro definidor. Erro definitivo é desconhecer marcas e consequências de 350 anos de escravidão com 3,5 milhões de escravos. Bolsonaro e os seus desconhecem cinco séculos da colonização portuguesa na África, e o controle português nessa escravidão. “Os portugueses nem pisavam na África”, disse Bolsonaro. Certamente os escravos vinham a nado, por desejo próprio. Mortalidade infantil porque as mulheres não cuidam dos dentes e do sistema urinário. Não existiu ditadura no Brasil. Herzog não foi assassinado e enforcado a 1,20m do chão. Essas algumas das declarações da tragédia Bolsonaro no Roda Viva.

Uma das torturadas na ditadura, Amelinha Teles já relatou: nua, vomitada, urinada, recebendo choques elétricos e torturada, na sala de torturas os filhos de 5 e 4 anos, levados por Brilhante Ustra que lhe espancava. Brilhante Ustra, homenageado por Bolsonaro no impeachment de Dilma, acusado pela morte de 60 pessoas e chefe de tortura. Brilhante Ustra é livro de cabeceira, disse Bolsonaro no Roda Viva. Mandela não foi isso tudo, disse Bolsonaro. Claro, gigante da humanidade é ele, o Jair.

Bolsonaro, com uma ignorância ressentida que o segue, desconhece ou, fiel aos mais baixos instintos, finge não saber, Mandela, de Gaulle, Berger, partizans na França, Itália entre muitos foram guerrilheiros e tratados como terroristas. Cristo, subversivo e crucificado. Por quê? Porque é dever de cada cidadão combater estado nascido ilegal ou tornado fora da lei. É dever combater uma ditadura seja ela qual for, é dever enfrentar a ameaça do fascismo.

A entrevista foi em julho de 2018, antes do 1º e 2º turnos. A sociedade, embebecida pelo ódio pregado diuturnamente pela grande mídia com apoio estratégico da Lava Jato, sequer conseguiu ouvir o que falava Bolsonaro. Viam-no fazendo arminha em igrejas e dizendo que mandaria os inimigos (de esquerda) para a ponta-da-praia (para local de extermínio), homenageando e elogiando bandidos torturadores e facções criminosas.

Porém, o discurso dele abarcou parte escondida da sociedade. Gente que aí está, escrevendo coluna em jornais, advogando, participando de clubes (Rotary, Lion, Maçom), lecionando às crianças. Eles sempre reprimiram esses ismos. Neles pensavam, mas não tinham coragem de extravasar. Bolsonaro os libertou. Saíram do armário e expuseram orgulhosos as ignorâncias, preconceitos, racismos e fascismo que nutriam em seu íntimo, e se encontraram os iguais que se escondiam no armário, formando uma coalisão.

Houve advogados defendendo a prisão desmedida, a condução sem intimação, a condenação sem prova, por presunção. Rasgaram a CF e as leis e aceitaram o TRF4 dizer que eram tempos de exceção e precisavam medidas de exceção. Advogado que isso defendeu não merece o título de advogado, nem os antigos rábulas seriam tão subnutridos juridicamente.

Clubes de serviços, então, nestes se reuniu muito do pior de nossa sociedade. São, em parte, o “lixo branco” de Jessé Souza. Eles foram a ponta-de-lança na destruição das instituições e do projeto de nação brasileira. Um dia terão de se redimir e muito mudar, pois só assim poderão conseguir perdão pelos crimes lesa pátria que praticaram contra o Brasil.

Mas, de todos, os piores foram muitos dos religiosos, católicos carismáticos ou luteranos reacionários e, principalmente, os evangélicos (pentecostais). Defenderam o candidato de histórico de vida horrível, sob o ponto de vista cristão, e mais trágico ainda sob o ponto de vista humanista e social. Em tudo, na vida, nos exemplos e nas falas ele negava e nega o que Jesus ensinou. Votaram nele porque ele representou o preconceito e a ignorância social, política e econômica que se escondia no coração dessa gente.

Que o Brasil, um dia, possa perdoar todos esses que destruíram o Brasil, seus símbolos e o futuro da nação.

*Adalberto Paulo Klock é servidor público.