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24 de junho de 1960: é fundado o Movimento dos Agricultores Sem Terra – Master, importante marco na luta dos camponeses do Sul do Brasil

Publicado em: 25/06/2020

do DMT - Democracia e Mundo do Trabalho

 

por Igor Natusch

 

 

 

Há 60 anos, era fundado o Movimento dos Agricultores Sem Terra – Master, importante marco na luta dos camponeses do Sul do Brasil

A história de lutas dos trabalhadores rurais teve um importante capítulo na primeira metade da década de 1960. No dia 24 de junho de 1960, nascia, na cidade de Encruzilhada do Sul (RS), o Movimento dos Agricultores Sem Terra (Master). Seguindo os passos de precursores como as Ligas Camponesas e a União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (ULTAB), essa entidade teria importante papel na organização política popular no campo gaúcho, em um exemplo que acabaria trazendo elementos valiosos para experiências posteriores.

A origem do Master está conectada a uma tentativa de reintegração de posse em um terreno de 1.800 hectares, na localidade de Faxinal. Na ocasião, as trezentas famílias, que lá residiam há quase cinco décadas, receberam suporte do governador gaúcho Leonel Brizola, que tinha adotado a regularização de terras como uma das bandeiras de seu mandato. O governo estadual enviou policiais militares até a área em litígio, como forma de proteger os camponeses de eventuais ataques de latifundiários – e essa simpatia por parte do Executivo gaúcho criou um cenário favorável para a organização de um movimento mais abrangente no Estado.

Após organizar associações rurais em vários municípios gaúchos, o Master passou a promover acampamentos – uma estratégia então praticamente inédita, e que tornou-se recorrente no repertório de luta dos trabalhadores rurais. A estratégia era acampar na estrada que conduzia à propriedade em disputa, de forma a não caracterizar invasão das terras. Os dois primeiros acampamentos, em 1962, ocorreram nas cidades de Sarandi e Camaquã, em uma localidade chamada Banhado do Colégio. Nesses e em outros atos subsequentes, os camponeses invocavam os artigos 173 e 174 da Constituição do Rio Grande do Sul, que previam a desapropriação de terras consideradas devolutas ou improdutivas. Os dois acampamentos inaugurais resultaram na entrega das terras aos trabalhadores rurais, em um sucesso que deu impulso extra ao movimento. 

O ambiente no governo Brizola era favorável e, mesmo que o Master tenha procurado se desvincular de um eventual jugo governamental, medidas como a criação do Instituto Gaúcho da Reforma Agrária (Igra) e o reconhecimento das associações rurais como entidades de interesse público foram avanços importantes para a causa dos lavradores. O momento no Rio Grande do Sul era tão simpático à causa que produtores mecanizados de arroz e trigo e até alguns grandes proprietários rurais viam o Master com bons olhos, acreditando que a reforma agrária poderia ter efeitos positivos na modernização da agricultura local. 

No entanto, a posse do novo governador Ildo Meneghetti rompeu drasticamente esse ciclo: logo nos primeiros anos do novo governo, o Igra foi sucateado, as desapropriações suspensas, e o Master passou a ser alvo de violenta repressão. Os policiais militares, agora, cercavam os acampamentos para reprimi-los e, muitas vezes prender seus líderes. Em janeiro de 1964, o Master chegou a ocupar a sede do Igra, após Meneghetti ordenar a detenção de caminhões que conduziam 400 famílias para terras destinadas à reforma agrária. O grupo chegou a ter papel significativo nos primeiros movimentos de resistência à ditadura militar, mas dispersou-se nos meses seguintes ao golpe – embora algumas lideranças tenham, duas décadas depois, colaborado no estabelecimento das primeiras células do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em solo gaúcho.