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A eterna persistência da vida (por Adalberto Paulo Klock*)

Publicado em: 20/09/2020

 

 

 

 

 

 

A ciência afirma que o Universo Visível, o universo que conseguimos ver, tem 12,8 bilhões de anos, sendo essa a idade atribuída ao Universo. Diz mais a ciência, estamos em infinito crescimento graças a uma matéria chamada Matéria Escura, que sabemos existir, mas não conseguimos ver ou comprovar.

Diz ainda a ciência, que as estrelas vermelhas, que mais tempo duram, existirão por 300 bilhões de anos. Porém, isso será menos de um bilionésimo de um por cento do tempo de existência final do Universo. Depois de todas as estrelas deixarem de existir, o Universo continuará a existir com gigantescos buracos negros e estrelas de nêutrons. Recomendo assistir: TIMELAPSE OF THE FUTURE: A Journey to the End of Time, no Yutube e tem legenda em português.

Elizabeth Kolbert, em seu livro “A sexta extinção. Uma história não natural”, relata as cinco extinções naturais que houveram no Planeta Terra. A extinção mais conhecida é a dos dinossauros (a última que houve). Mas houveram outras mais severas – recomendo a leitura. Ela diz claramente que a humanidade caminha aceleradamente para uma nova extinção, a nossa.

Agora tudo se deve, aparentemente, a vitória da crendice, da ignorância sobre a ciência. Tornam-se chiques frases de efeito, por mais tolas ou ignorantes que sejam.

Barack Obama, ex-presidente dos Estados Unidos, busca saber “de onde vem essa pressão anti-intelectualismo?” E declara ele: “Na política e na vida, a ignorância não é uma virtude! Não é legal não saber do que se está falando. Isso não é sustentar que é verdade só por dizer que parece que é. Isso não é desafiar o politicamente correto. Isso é somente não saber sobre o que você está falando. ... Qualidades como bondade, compaixão, honestidade, trabalho duro, frequentemente (e infelizmente) importam mais do que competência técnica ou know-how. Mas, quando nossos líderes expressam um desdém por fatos, quando eles não são responsabilizados por repetirem falsidades e só inventam coisas, enquanto que verdadeiros especialistas são julgados como elitistas, então temos um problema. Sabem, é interessante que se nós ficarmos doentes, queremos realmente ter certeza que os médicos foram para a faculdade de medicina, eles saber o que estão falando. Se entrarmos em um avião, queremos que o piloto seja capaz de pilotar o avião. E ainda assim, em nossas vidas políticas rapidamente pensamos, eu não quero alguém que já fez isso antes. A rejeição de fatos, a rejeição da razão e da Ciência, esse é o caminho para o declínio. Chama-me a atenção uma frase de Carl Sagan: - Podemos julgar nosso progresso pela coragem dos nossos questionamentos e pela profundidade de nossas respostas, nossa vontade de abraçar o que é verdadeiro ao invés daquilo que nos faz sentir bem.”

Essa fala expressa o que vivemos hoje em nossa sociedade, país e até no mundo, caminhamos a um lugar indefinido e os que nos alertam, utilizando a ciência e a técnica, são ignorados, afastados, desprezados, humilhados ... Vivenciamos o culto à ignorância, ao charlatanismo, à superstição religiosa, social e cultural, tudo em nome do lucro e da ganância.

A chuva negra e ácida que temos nos últimos dias é um alerta gravíssimo à destruição do nosso planeta.

Nos últimos dias noticiou-se a espantosa descoberta da possível existência de vida em Vênus, vida microbiana nas nuvens superiores do Planeta Vênus, que é o segundo planeta do Sistema Solar, de tamanho igual ao da Terra e está na zona habitável do Sol. Ele sempre foi visto coberto de nuvens e se imaginava, nas primeiras observações desde 1800, ter chuvas e vida abundante.

 

Porém, depois se descobriu: as coisas deram erradas em Vênus, planeta que afirmam alguns cientistas ter sido habitável com água e até vida em sua superfície. Hoje espessas nuvens criaram efeito estufa tornando o planeta um inferno. Na superfície a temperatura é de 400 a 500 graus célsius e a pressão atmosférica e de 90 vezes a da Terra. O efeito estufa é produzido pelo ingresso da radiação solar e as nuvens (que se estima foram geradas por vulcões) impedem a radiação de retornar ao espaço, retroalimentando a temperatura.

Triste, mas o desequilíbrio pode levar o planeta à condição de insubsistência da vida, e isso ocorre por elementos naturais ou artificiais.

As imensas nuvens negras das queimadas, e que cobrem meio continente, trazem alterações climáticas, mas trazem também o alerta de que a Terra pode, facilmente, se tornar hostil à vida humana e, nesse momento, perceberemos que nós precisamos do planeta, o planeta não precisa de nós.

E se a vida humana for extinta, outras formas de vida continuarão sem nós, mesmo que inicialmente somente microbiana, como já aconteceu em outras extinções. Mas, em algumas dezenas, centenas ou milhares de milhões de anos a vida será novamente abundante no planeta, quiçá com nova vida inteligente.

A vida é persistente, teimosa e, pelo que se constata, muito mais comum no Universo do que se possa imaginar.

Aqui, no entanto, na Terra, temos vida em abundância também e uma espécie que se acha eterna, mas que sequer ainda consegue responder qual o sentido da vida e nem compreende o sentido de eternidade! Mas, o mais triste é que antes de nossa espécie amadurecer já estamos correndo o risco de nos auto-extinguirmos. E se for inevitável nosso fim ainda na adolescência de nossa espécie, só torço para, no futuro, quando outra espécie com inteligência surgir, não cometa os erros que nós cometemos. Espero que essa outra raça sequer saiba o que significa lucro e consiga encontrar uma sociedade mais justa, igualitária e social, guiada pela cultura e ciência.

 

*Adalberto Paulo Klock é servidor público. Escreve semanalmente para o site da Revista Afinal.