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Inticaram os marimbondos

Publicado em: 18/03/2021

 

 

 

 

 

Alceu van der Sand (*)

Nos meus tempos de infância no meio rural, e já faz tempo isso, lembro que durante a primavera, início de verão se verificava a presença de um inseto muito incomodativo. Geralmente era encontrado quando as uvas se pintavam de rosa indo para amadurecimento. Íamos para baixo do parreiral e não raro nos deparava com uma cachopa de maribondos.

Maribondos desempenham sim sua função na natureza, assim como nós os humanos e todos os seres vivos. Mas que bichinho medonho. Talvez por serem poucos, são extremamente agressivos. Não produzem mel, estragam as uvas e espanta quem está por perto.

Nós, moleques, os desafiávamos. Geralmente jogando pedras na tentativa de derrubar a cachopa. A deixa era: - vamos inticar os maribondos! Não raro algum guri era picado. Obviamente se sucedia a choradeira e na sequência, os xingamentos da mãe. Eu avisei que era para tomar cuidado etc. e eteceteras. Mas pensando bem, os maribondos são poucos, talvez por isso sejam tão agressivos.

Já as abelhas melíferas são laboriosas, organizadas e produzem o mel que é o adoçante que adoçou a vida da humanidade até por volta dos anos 1300, quando os árabes desenvolveram o açúcar. Além disso, as abelhas polinizam a nossa flora.

Abelhas vivem em colmeias numerosas, organização social complexa, voam alto, voam longe. Ou seja, tem uma visão mais ampla do seu entorno. Não costumam atacar. Mas quando atacam, atacam aos milhares. Não raro liquidando com o inimigo.

Pois bem, na segunda semana de março de 2021, Lula inticou (inticar no dicionário informal significa provocar) os marimbondos. Com a decisão de Fachin e o posterior pronunciamento de Lula, os marimbondos levaram uma pedrada.

Onde eles se manifestam agora. Principalmente nas redes sociais. Dei uma olhada com calma nas postagens dos marimbondos que outrora fizeram parte da minha vida social. Pessoas com as quais cresci, estudei, me diverti e mantive convívio. Vejo que compartilham várias postagens ao dia. São memes, vídeos e demais subprodutos da indústria do ódio. Raríssimas vezes postam algo de sua própria verve, e quando o fazem, sequer usam o corretor ortográfico da própria rede, imagine a qualidade do texto. Também observo que tais postagens raramente são comentadas ou mesmo “curtidas”. Isso me leva a crer que cada vez mais, falam sozinhos. Não deve ser algo muito prazeroso militar freneticamente e não ser correspondido. São correspondidos sim, em sua própria bolha.

Se muitas vezes se falou que esquerda estava em uma bolha, desconfio que esta bolha estourou. A bolha agora é dos marimbondos.

O comportamento dos maribondos pôde ser visto no dia de hoje. Saíram às ruas de forma atabalhoada, sem tomar os mínimos cuidados relacionados à pandemia. E mais, queimaram gasolina cara em suas carreatas.

Ao mesmo tempo, a imensa maioria da população se manteve em silêncio, em casa preocupada e tomando cuidados relacionados à pandemia. As abelhas laboriosas observando o que se passa.

Mas vai que uma hora dessas as abelhas percam a paciência. O enxame pega pesado.

Ah, um conselho. Não se aproxime dos marimbondos. Sua ferroada é dolorida e a sua contribuição para a humanidade é muito pequena.

Bom domingo.

(*) Alceu Van Der Sand - Possui graduação em Administração de Empresas pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (1987) e mestrado em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo (1994). Atuou como professor da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, com ênfase na área de Economia.