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Novo cenário pós-pandemia

Publicado em: 24/03/2020

por Paulo Schmidt (*)

 

"Há muitos mistérios entre o céu e a Terra que nossa vã filosofia possa compreender".

Eu sou curioso. Gosto de investigar tudo o que me contam, dizem ou prometem. Até para verificar se tem um fundo de verdade.

Com o Corona vírus não tem sido diferente. Penso que aqueles que saírem vivos dessa situação vão compreender muito sobre cuidados com a saúde, e, principalmente, como uma pandemia acontece e como deveríamos estar preparados, como sociedade e Estado para poder enfrentá-la. A cada dia, fica mais visível que a ideia de um Estado menor (Estado Mínimo) não é razoável diante de tamanha exigência para superar todas as dificuldades impostas pela doença. O Estado Mínimo é uma decorrência do pensamento liberal, onde a centralidade da economia não está nas pessoas, mas, nas finanças. Como se o capital pudesse existir por si só. E como se cada uma das pessoas dessa sociedade devessem ser autossuficientes a partir da quantidade de dinheiro que cada uma possui. Mas sabemos que isso não funciona. E já tivemos vários momentos na história que demonstraram isso. Sem a presença do Estado, nenhuma economia tem sustentação. Nenhuma epidemia tem superação.

Diante desse cenário de Guerra, estamos a observar comportamentos e ações. Não seria nenhum equívoco dizer que estamos em plena Guerra mundial. Qual o sentido de uma Guerra de grandes dimensões senão a disputa da hegemonia política, econômica e cultural de um hemisfério ou do próprio planeta? E o que vejo, para além da pandemia viral que precisa ser superada é a pandemia econômica, eis que, sem dúvida alguma, estamos vivendo um cenário recessivo mundial, muito por conta da "bolha" criada pelo modelo econômico, até então, hegemônico no mundo todo. E não estou falando do capitalismo. Minha referência é ao neoliberalismo, onde muita gente buscou o caminho da riqueza, sem produzir qualquer parafuso. O Covid19 pode ser apenas o alfinete que está estourando esta bolha.

O novo cenário econômico mundial que nos espera, no pós Guerra, terá, necessariamente, o Estado como agente propulsor da economia e as pessoas como sujeitos desse processo. Nada muito diferente do que aconteceu após o crack da Bolsa de Chicago em 1929.

Afinal, a Guerra pela hegemonia política e econômica entre EUA x China nos diz respeito? Nos afeta? Quem sairá vencedor desse processo? O país neoliberal que não consegue controlar a epidemia em seu próprio território e possui o maior déficit do planeta? Ou o país que detém a maior riqueza do mundo e opera em cooperação multilateral com vários países do mundo, para superar o Corona, especialmente, com países do centro financeiro europeu?

Assistindo...

 

(*) Paulo Schmidt é graduado em Direito, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de Santa Rosa.

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