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O ano que pode mudar radicalmente as nossas vidas

Publicado em: 23/04/2020

do jornal Extra Classe do Sinpro/RS

Arte: Bolsa de Valores de Nova Yorke/ Reprodução Twitter

 

 

 

A Covid-19 provocou uma quebra generalizada e feriu profundamente o coração desse sistema, que está implodindo por todas as partes do mundo. A única coisa que pode salvá-lo é uma nova onda de consumismo de massa financiado e incentivado pelos governos, pelo Estado. A avaliação é do geógrafo e pensador marxista inglês David Harvey, ao avaliar o impacto devastador que o coronavírus já provocou na economia global.

Como outros analistas vêm destacando, nada será como antes depois da pandemia que, em poucos meses, vem alterando não só a vida econômica, mas as formas de vida cotidiana de milhões de pessoas no mundo inteiro.

O fato de ter se manifestado primeiramente na China, assinala David Harvey em um artigo intitulado Política anticapitalista em tempos de Covid-19, terá consequências sobre o que virá depois da pandemia, especialmente no terreno econômico.

Segunda maior economia do mundo, a China desempenhou um papel fundamental para a recuperação do capitalismo global após a crise de 2007-2008.

“Qualquer impacto sobre a economia da China teria sérias consequências para uma economia global que já estava em péssimas condições. O movimento de acumulação de capital já estava com muitos problemas”, escreve Harvey. Após o coronavírus, a gravidade desses problemas atingiu outro patamar.

Os efeitos econômicos estão agora fora de controle, tanto dentro da China como fora dela, acrescenta. A ruptura de cadeias produtivas inteiras implicará, entre outras coisas, redução abrupta dos níveis de consumo e demissões de trabalhadores.

Ele cita o caso do turismo internacional, apontando-o como emblemático: “Este local de acumulação capitalista está morto; as companhias aéreas estão perto da falência, os hotéis estão vazios e o desemprego em massa no setor hoteleiro é iminente”.

Além disso, observa Harvey, há um vasto exército de trabalhadores uberizados e de outras formas de trabalho precário que está sendo dispensado sem nenhuma forma de proteção ou apoio.

O impacto sobre a maior economia do planeta será dramático, prevê. E a saída passará longe do receituário neoliberal que virou mantra nas últimas décadas por todo mundo. Pelo contrário, demandará a presença do Estado numa dimensão não vista desde a Grande Depressão do início do século 20.

Essa crise, aponta o pensador, exigirá a socialização de praticamente toda a economia dos Estados Unidos, sem que isso seja chamado de socialismo. Com a economia da China também debilitada, assinala, as únicas políticas que funcionarão para a recuperação da maior economia mundial serão muito mais socialistas do que qualquer coisa que o senador Bernie Sanders tivesse proposto até aqui. E a grande ironia é que esses programas de resgate terão que iniciar ainda no governo de Donald Trump.

Abrindo a caixa de pandora

Na mesma direção, Mike Davis, escritor, ativista e professor na Universidade da Califórnia, diz que a pandemia do coronavírus abriu a caixa de Pandora e o sistema econômico dominante no planeta está tornando tudo pior.

No artigo intitulado A crise do coronavírus é um monstro alimentado pelo capitalismo, Davis preconiza que a pandemia vai expor a natureza e as consequências do desmonte do sistema público de saúde em vários países, pelas políticas neoliberais, em especial, nos Estados Unidos.

“Os departamentos de saúde locais e estaduais – a primeira linha vital de defesa – têm hoje 25% menos pessoal do que tinham há 12 anos. Estamos nos estágios iniciais de uma versão médica do Furacão Katrina”, escreve.

O coronavírus, acrescenta Davis, evidenciou instantaneamente a divisão de classes na saúde dos Estados Unidos. “Aqueles com bons planos de saúde que também podem trabalhar de casa estão confortavelmente isolados, desde que sigam salvaguardas prudentes.

Enquanto isso, milhões de trabalhadores com baixos salários, trabalhadores rurais, desempregados e sem teto estão sendo jogados aos lobos”. Essa é a realidade de outros países também, entre eles o Brasil, onde as recomendações para medidas básicas de higiene como lavar as mãos esbarram, por exemplo, na falta de acesso à água para alguns milhões de pessoas.

Esse texto, provavelmente, envelhecerá rápido. Talvez, quando você esteja lendo essas palavras, a realidade já tenha superado essas previsões pessimistas. Tomara que sim. O que se pode afirmar, por outro lado, é que 2020 pode ser o ano que vai mudar radicalmente as nossas vidas.

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