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Memória Ativa

Publicado em: 16/06/2020

do Diário de Santa Maria

 

Ilustração: Paulo Chagas

 

 

 

Confira a crônica do jornalista Marcelo Canellas

 
O título desta crônica é um movimento cívico que tomou corpo em meados do ano passado, mas é também uma declaração de amor a Santa Maria. Memória Ativa é o nome de um coletivo de defesa do patrimônio cultural e arquitetônico, ação concreta da sociedade civil, independente e apartidária, que reagiu a um dos pontos do novo Plano Diretor: o que extinguiu os mecanismos de proteção aos prédios históricos da cidade. Mas Memória Ativa é também a deslavada paixão de seus integrantes pelo Coração do Rio Grande, por seus elementos de identificação urbana, pela indescritível sensação de pertencimento a uma comunidade, ao lugar onde nascemos ou adotamos como nosso.
 
Somos um coletivo de arquitetos, advogados, jornalistas, artistas,professores, estudantes e agentes culturais que propõe um debate público a partir de uma pergunta: é possível escolher um modelo de desenvolvimento que promova progresso e geração de novos empregos e negócios e que, ao mesmo tempo, proteja nosso passado e nossa memória de cidade?  Acreditamos que sim. É falso o dilema que opõe possibilidades econômicas e conservação da História. O novo Plano Diretor atendeu a uma demanda justa, legítima e necessária. A indústria da construção civil é geradora de empregos e um dos grandes motores de movimentação de recursos em todo o Brasil e por isso deve ser estimulada. Mas será que é preciso fazê-lo sobre os escombros de nossa identidade urbana?
 
A ideia de gerar recursos é importante, mas não pode ser restritiva. A sociedade é economia, mas também é cultura, tradição, instituições e organizações que compõem o tecido social. Por isso, em vez da ideia de recursos, estreita e limitadora, prefiro a ideia de valor, mais ampla e aberta a novas possibilidades e combinações. Essa nova racionalidade, que substitui recursos por valor, foi proposta por Milton Santos, um dos maiores intelectuais que o Brasil já produziu e um dos gigantes da geografia humana e econômica do planeta. Para ele, a expressão "modelo econômico" deveria ser substituída por "modelo cívico" porque leva em conta a solidariedade social fundada na cidadania, a qual todo planejamento econômico deve estar subordinado.
 
É perfeitamente possível reservar espaços para o desenvolvimento da construção civil em áreas de expansão urbana que não exijam a demolição de prédios históricos. O valor simbólico de edificações que contam a história da cidade está inflado de potencialidades econômicas nas áreas de turismo, indústria criativa, artes e espetáculos, gastronomia, start ups, tecnologia e outras infinitas possibilidades. Além de ser tola, a ideia de destruir e demolir prédios antigos porque são "velharias" é um ato de desamor. Quem é que pode amar ou desamar uma cidade? Recorro a Milton Santos: "quando um homem se defronta com um espaço que não ajudou a criar, cuja história desconhece, cuja memória lhe é estranha, esse lugar é sede de uma vigorosa alienação". É assim com nossos filhos, pais, amigos, causas e ideais: os amamos porque os conhecemos. Sexta que vem, às 19h, no casarão da TV OVO (Ernesto Beck 1685) a marca visual do Memória Ativa será lançada. Sintam-se convidados todos os que amam Santa Maria.
 
*Marcelo Canellas é jornalista.
 
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