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Meu vinte de onze (por Alceu Van der Sand)

Publicado em: 24/11/2020

 

 

 

 

 

 

No último dia 20/11, para lembrar o dia da consciência negra, em minha casa montamos um banner, meio artesanal, mas ficou vistoso, para lembrarmos o dia da consciência negra. Apliquei um banner na minha foto do Facebook e escrevi sobre a morte do Jõao Alberto em Porto Alegre.

 Alguns amigos, na rede social, se manifestaram dizendo que o que vale é tratarmos a questão da humanidade como um todo. Que todas as vidas são importantes. Lembro que a sociedade brasileira escolheu um dia para que todos reflitam sobre o problema secular que é a abissal diferença entre negros e brancos em nosso país.

Em minha opinião, o dia 20/11 tem o mesmo significado que tem outras datas. Comemoramos a independência, a proclamação da república. As igrejas cristãs marcam com muita fé o nascimento, morte e ressurreição de cristo. No caso, natal e páscoa. Se ficássemos com a mesma lógica do todas as vidas são importantes, natal e páscoa não seriam objeto de importância, pois a fé e a vivencia cristã deveria ser algo do cotidiano.

Durante pelo menos 15 anos de minha vida como professor, lecionei economia brasileira no curso de economia da Unijuí e outras universidades. Tive a oportunidade de ler e aprofundar meus conhecimentos sobre o país. Interessei-me particularmente pela formação econômica e a história do Brasil. Tentarei aqui, fazer um breve resumo do que me chama a atenção relativamente as questões da escravidão e da população negra no país. No caso do presente escrito, me reporto ao grande brasileiro Celso Furtado, a Roberto C. Simonsen, a Caio Prado Junior e outros. Eles formam a base do meu argumento.

Após a descoberta, o nosso território ficou pelo menos trinta anos sem que houvesse algum tipo de ação por conta da coroa portuguesa. Com o despertar do interesse de outras nações em colonizar o território, os portugueses buscaram alguma alternativa de ocupação. Para garantir a ocupação, era preciso encontrar alguma alternativa econômica. No início foi o Pau Brasil, mas foi um ciclo rápido e sem muita rentabilidade econômica. Ainda não haviam encontrado metais preciosos ou especiarias que pudessem representar algum valor econômico. A alternativa encontrada foi a exploração de uma lavoura altamente rentável na época. A cana de açúcar. Um quilo de açúcar valia cerca de 5 a 8 gramas de ouro. A invenção árabe, sim o açúcar foi inventado pelos árabes, se mostrava uma atividade que valia muito a pena. O grande desafio era a mão de obra. A experiência com os nativos sendo escravizados havia se demonstrado um fracasso. O contato com o branco e suas enfermidades os matava aos lotes. Conheciam a natureza, se embrenhavam na mata e não mais eram encontrados.

A solução para suprir a falta de mão de obra foi capturar negros na África, escravizar e trazer para servirem de mão de obra. Assim foi com o período do açúcar, da mineração nos anos 1700, e do café nos anos 1800. Segundo estatísticas, foram trazidos mais de 1,5 milhões de seres humanos para o Brasil para serem escravos em nosso território.

Ao fim de mais de 300 anos de história, finalmente acabou a escravidão em 1888.

Para não me alongar, e buscar construir meu argumento especifico neste texto, volto ao Rio Grande do Sul.

No momento da abolição da escravatura já estavam chegando grandes grupos de imigrantes ao nosso estado. E aí é que residem as grandes diferenças. Os que aqui chegaram já eram pessoas livres há séculos na Europa, a grande maioria pobre, muito pobre, é verdade. Eram, na maior parte, contingentes que “sobraram” na revolução industrial. Não foram incorporados nem como trabalhadores assalariados na indústria, nem como produtores de alimentos. A solução encontrada foi boa para os dois. Os europeus se livrando de pobres que incomodavam e o Brasil buscando gente para ocupar um território que ainda estava em litigio com a Espanha. Nada melhor do que garantir posse de um território do que ter gente sobre ele.

Pois bem, os imigrantes que aqui chegaram receberem, em sua ampla maioria, um lote de terras, ferramentas e alguns até uma casinha para morar.

Isto denota uma base importante no modo de produção que vivemos. Por mais precário que fosse, a família já saia com uma das bases mais solidas do capitalismo. A propriedade, esta está garantida em nossa constituição até hoje. Desde que cumpra sua função social. E assim será ainda por muito tempo, acredito. E considero justo.

Os imigrantes tiveram facilitado pelos governos da época, o acesso a escolas, foram trazidos alguns profissionais de saúde etc. Foram feitos investimentos em infraestrutura. As ferrovias, portos, estradas e outros. Extensas áreas eram destinadas para os “colonizadores” para medição e alocação dos imigrantes.

E os agora os ex-escravos? O que foi dado a eles?

Foi lhes proporcionada a liberdade de não ser escravo. Só, agora eram livres para trabalharem de forma assalariada para quem quisessem. Sem lei, sem ordenamento jurídico, sem nada. Os escravos libertos não tinham casas para morar, não tinham terras para plantar. Então, o agora patrão, lhes cobrava aluguel e a comida. Ou seja, por mais de meio século, praticamente nada mudou em termos de renda para os negros libertos. Apenas nos anos 1930 com Getúlio Vargas, tivemos um ordenamento jurídico do trabalho que tivesse mais efetividade. Ou seja, um minuto atrás no tempo histórico.

Aproveito para um parêntesis. Meu bisavô José Norbert, quando veio da Europa, já com uns 10 anos de escola, veio para o algum lugar de Minas Gerais, para trabalhar no café, lá por 1890. Lá chegando o trabalho que ofereciam era análogo ao trabalho escravo. Como já vinha com algum conhecimento, resolveu vir ao sul. Acabou se estabelecendo na serra cadeado e lá construiu sua vida. Justamente, porque aqui teve acesso a propriedade.

No restante do país, a população branca, das mais distintas origens, historicamente teve muito mais vantagens por parte do Estado do que a população negra. Foram 300 anos de escravidão, contra míseros 130 anos de libertação. Sendo que apenas nos últimos 30 anos passamos a reconhecer de fato que temos diferenças entre brancos e negros. A constituição de 1988 é que abre este espaço de forma mais decisiva para a inclusão mais igualitária.

Portanto, quando se trata de lembrar o dia consciência negra há que se considerar que bem mais da metade de nossa população é constituída daqueles que se declaram negros ou pardos. Não se pode ignorar que as diferenças de renda são enormes entre brancos e negros.

Isso nos leva a refletir e ajudar a construir uma consciência no sentido de mudar essa realidade, é ato de construção de uma nação no sentido mais caro da palavra. Uma nação, para mim, é o território que vivemos e somos construtores de um bom lugar de viver. Em que tenhamos todos as mesmas oportunidades. Muitas vezes precisamos estender a mão para o semelhante. Precisamos esperar algum companheiro de caminhada que ficou para trás. Assim como uma mãe de família, precisamos abrir mão de algo para garantir que todos os filhos sejam tratados da mesma forma. É isso que chama pátria mãe.

É em razão da história, das estatísticas, da realidade bruta que, assim como comemoro o natal, eu faço questão de lembrar o dia vinte de novembro.

Cumprimentos solidários aos amigos negros que lerem este artigo.

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