Desastre ambiental no Atlântico Sul

Publicado em: 07/10/2019

Foto: Adema/Governo de Sergipe

 

Por Gustavo Gollo/Desacato

Uma gigantesca mancha de petróleo vem se alastrando há mais de um mês pelo litoral do nordeste, evidenciando um desastre brutal ocorrido não se sabe onde. A lambança se estende do Maranhão até a Bahia emporcalhando centenas de praias, fato que constitui apenas a ponta do iceberg, a manifestação visível da tragédia cujo epicentro ocorreu em águas profundas, a centenas de quilômetros da costa, constituindo um crime ecológico descomunal, envenenando o oceano, matando peixes e ameaçando os frágeis recifes.

Não se sabe, nem se quer saber, quem é o responsável pela catástrofe, ou o lambão teria sido descoberto logo nos primeiros dias e obrigado a limpar a imundície. Vão deixando assim que o destino e o tempo se encarreguem de apagar as marcas do desastre cuja responsabilidade, caso determinada, atiçaria protestos contra as privatizações em andamento.

 A tentativa de esconder o crime ecológico gigante e jogar a sujeira para baixo do tapete perpetrada pelos meios de comunicação resultou na divulgação, durante semanas, de que a poluição teria resultado da lavagem de um navio tanque. O escárnio protagonizado longamente pelos jornais prosseguiu por semanas, enquanto a mancha já se estendia por mais de 2 mil quilômetros de costa. Um mês depois do desastre, a hipótese levantada pelos jornais foi substituída por outra não menos ridícula, a de que o óleo a emporcalhar as praias de todo o nordeste fosse oriundo da Venezuela! Cabe ressaltar que o google deu forte destaque à piada.