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Um 1° de Maio muito estranho!

Publicado em: 03/05/2021

Um 1° de Maio muito estranho!
 
Quem viu Lula e Dilma na Globo? Foi um 1° de maio muito estranho. Nas ruas, a extrema-direita disputando as celebrações do dia dos trabalhadores, pedindo fim do lockdown e de medidas restritivas que salvam vidas em uma pandemia devastadora com mais de 400 mil mortos e discursos obscurantistas e salvacionistas.
 
Em Copacabana, um grupo cada vez mais homogêneo pedindo “intervenção militar comandada por Bolsonaro”, “voto impresso”, prisão para os ministros do STF, rezas em torno da imagem de Nossa Senhora Aparecida para se protegerem contra o comunismo etc. Diante de algumas falas e gestos histriônicos, um teatro do absurdo, a sensação é que esse inconsciente explodido e doentio já chegou “no teto”, não tem como crescer, que derrete, uma caricatura e clichê que perdeu a novidade, mas que se instalou na paisagem política.
 
O #EuAutorizoPresidente a frase da extrema direita usada nas manifestações de rua seria para “autorizar” uma intervenção de Bolsonaro para passar por cima de governadores e prefeitos, passar por cima do STF, “colocar as Forças Armadas para garantir a liberdade de ir e vir” : ) As “liberdades individuais” usadas como retórica contra a sociedade e contra a saúde pública, por extremistas e negacionistas. No dia do trabalho, os apoiadores de Bolsonaro “autorizam” um presidente que diz que não vai penalizar propriedade de ruralistas com trabalho escravo!
 
Enquanto a extrema direita disputa esse “trabalhador de bem” no 1° de maio das ruas, na Globo, o Jornal Nacional, a CNN Brasil destacaram as falas de Lula, Dilma, FHC, Ciro, mostram as carreatas das centrais e partidos que defendem mais vacinas, direitos trabalhistas e volta do pagamento do auxílio emergencial de R$ 600, e o estado de direito.
 
Estamos em uma reviravolta entre as ruas e as redes, uma desconfiguração das forças políticas desde o impeachment e a eleição de Bolsonaro, com o retorno dos mortos vivos em looping, mas também com outras alianças possíveis. Não tem saída do atoleiro sem uma nova configuração política ampliada, que lembra a saída da ditadura militar. Para além do teto das esquerdas hoje.
 
(texto de Ivana Bentes - Professora Titular da UFRJ, Pró-Reitora de Extensão da UFRJ) https://www.instagram.com/ivanabentes/