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Três dias de conjuntura (por Alceu Van Der Sand)

Publicado em: 05/05/2021

 

Alceu Van Der Sand (*)

A política, ah, a política. Ela é um pouco lenta, tortuosa e muitas vezes, de difícil interpretação. Por outro lado, ela é ao mesmo tempo dinâmica, e nos surpreende. No último dia 01 de maio, o bolsonarismo tomou de assalto um símbolo dos trabalhadores.

As comemorações, o simbolismo do dia do trabalho foi ofuscado pela horda bolsonarista que foi às ruas a vociferar as coisas mais absurdas. Só para citar um elemento. Vestidos de verde e amarelo, enrolados em bandeiras do Brasil, gritavam contra um suposto comunismo. Sequer se deram ao trabalho de verificar as etiquetas de suas vestes, “made in China”. Talvez, 99% delas.

Alguns mais abnegados talvez tivessem confeccionado seus próprios ornamentos, mas o tecido, este também importado. Afinal a China, para eles é o grande inimigo. O que será que pensa um chinesinho nessa hora? Melhor nem pensar na vergonha que passamos como brasileiros.

As análises dos setores políticos do próprio centro direita na noite de sábado e durante o domingo eram de um certo desânimo. E a grande surpresa do dia foi Lula falando no Jornal Nacional da Globo. Vem a terça-feira em que se instala a CPI. Mas antes da CPI, quero tratar de um outro evento, infelizmente ofuscado. A histórica decisão da Câmara dos Deputados em enterrar a famigerada Lei de Segurança Nacional. Desde o fim do regime militar ela andava esquecida, sabia-se que existia, mas ninguém dava bola. Aí vem o presidente, esse com “p" minúsculo, e começa a cutucar e reavivar a dita cuja. Pois bem, se alguém pensou que as instituições democráticas estavam mortas, entretanto, a Câmara dos Deputados deu uma prova de vida da maior importância. Jogou ela para dentro de uma profunda vala. Ainda esperneia, mas é muito provável que seja enterrada de forma definitiva.

Sobre a CPI gostaria de tecer alguns comentários bem gerais. Em primeiro lugar, Renan Calheiros deve estar iniciando sua vingança. Lembrem que ele foi traído pelo bolsonarismo para eleição da presidência do Senado. Coronéis deste quilate tem memória paquidérmica. Segundo, não por acaso chamaram Mandetta, ele não é do stablishment bolsonariano, nunca foi. Foi lá e cumpriu sua missão. Entregou um saco cheio de miguelitos. Estes deverão ser - um a um - , cuidadosamente espalhados pelo caminho do presidente com “p” minúsculo. Inclusive, abrindo espaço para convocação dos filhicianos (um misto de filho com miliciano). O terceiro ponto é a estratégia de defesa do governo. Pode-se afirmar como infantil. Quem deles consegue articular algo que não seja no grito e na ofensa pessoal? Alguém com nível mínimo de eloquência para fazer a defesa? Até o momento, ninguém. Mais um ponto, a postura do Pazuello. Está definitivamente manchando um valor transcendental das forças armadas, a honra. Sua covardia demonstra o tipo de militares que estão no governo. Um samurai, um soldado inglês, ou mesmo um daqueles snipers norte-americanos se suicidaria, mas não fugiria do combate. E hoje, enquanto escrevo este, Teich já entregou o presidente da 15ª letra em minúsculo. Informou que se demitiu em razão da pressão pelo uso da tal cloroquina. Por fim, um desafio aos meus dois leitores. Me citem uma, uma que seja, realização positiva deste governo. Tenho todas as razões que a turma da casa de vidro está nas cordas, e seu governo, na verdade nem começou.

(*) Economista