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O exemplo do Paraguai (por Alceu van der Sand)

Publicado em: 01/03/2020

 

            É muito comum se ouvir falar que o Brasil passa por uma situação de apagão logístico.  Praticamente 70% do transporte de cargas do país é realizado por transporte rodoviário. Esta modalidade tem se demonstrado alternativa de alto custo comprometendo muitas vezes a competitividade de várias cadeias produtivas.

            No caso da região noroeste do RS a situação é particularmente séria. As perspectivas de novos investimentos na modal ferroviária, por exemplo, inexistem para curto prazo. A maior parte dos insumos são trazidos de regiões distantes.  De outra parte, o estado como um todo vive uma situação preocupante em relação a sua competitividade. Em estudo recente publicado pela FIERGS, evidencia-se o agravamento da situação. O estado é o terceiro estado mais caro da federação em se tratando do preço dos combustíveis. Na relação Icms/indústria, o RS  tem a maior carga impositiva da federação. Ainda, no estudo da Fiergs, o RS é considerado o 16º estado em se tratando de rodovias duplicadas. Por fim, o nosso principal porto marítimo se encontra longe das regiões produtivas.

         Em uma situação de alta competitividade global o quadro que se apresenta é preocupante. Por outro lado, se virarmos o nosso olhar para uma outra direção, veremos que nossos vizinhos adotam soluções criativas e aproveitam recursos naturais que estão muito mais próximos do que imaginamos. O caso mais emblemático é o do Paraguai. Desde o início dos anos 2000 o vizinho país vem intensificando o uso da Hidrovia Paraná/Paraguai como via de escoamento da sua produção e abastecimento de insumos.

         Tome-se o exemplo do caso da Soja. O Paraguai produz 10 milhões de toneladas. Exporta a maior parte desta produção. Quase 100% da soja destinada à exportação é transportada via fluvial até os portos marítimos da Argentina ou do Uruguai. Desta forma, o pais já se tornou o terceiro no ranking do transporte fluvial no mundo. Perde apenas para os Estados Unidos e China. Os fertilizantes usados no sistema agrícola paraguaio, em sua maior parte, pelo rio. Desta forma, proporcionando eficiência no sistema logístico. Afinal, o transporte hidroviário é muito mais barato que o rodoviário.

         O curioso é que a região noroeste do RS está a em média 600 km do Porto de Rio Grande, e a 200 km médios do rio Paraná do lado argentino. OU seja, mais perto do rio do que do mar.

         A pergunta que se faz, se virássemos o nosso olhar para oeste, será que com um esforço organizado não encontraríamos uma solução, ainda que parcial para os nossos desafios logísticos? O Paraguai e a Argentina já encontraram faz tempo.

(*) ALCEU VAN DER SAND é administrador.

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