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Descaso e Desamor (por Alberto Paulo Klock)

Publicado em: 07/04/2020

 

 

 

O que não foi entendido: o se tratar de uma pandemia? O esforço hercúleo feito pelo governo chinês para impedir a disseminação e mortes? O fenômeno do colapso da saúde em países altamente desenvolvido e com reservas técnicas para atender casos de urgência? O contágio ocorrer em altíssima velocidade, pelas lições trazidas de todas as partes do mundo?

Observamos, por dois a três meses, os chineses ficarem em isolamento social e o esforço do Estado para eliminar o vírus, e nada fizemos aqui para nos preparar.

E quando o vírus aqui dentro se encontra, com índices de mortalidade no mundo entre 1 e 10%, o governo federal, estimulado pelo próprio Presidente Bolsonaro, mitiga as medidas e orienta o povo a sair à rua, prega o isolamento social vertical (só dos velhos e enfermos), diz para todos irem trabalhar porque a economia não pode parar. Chegou ao cúmulo de produzir propaganda nesse sentido, a qual foi proibida de circular pela Justiça. O valor vida tornou-se absolutamente secundário ao Presidente do Brasil e seus seguidores.

A economia não pode parar! Outros países e cidades isso disseram também, e hoje estão paralisados completamente. Os Estados Unidos, que foi negligente e tem seu sistema de saúde privado e caro, hoje já é o epicentro da epidemia, mas eles não podiam parar, e agora ficarão paralisados, com previsão de mais de 200 mil mortes.

Mas o mais estarrecedor: em que momento da história que optamos pela ignorância, pela crendice econômica, social, política e religiosa? Em que momento passamos a acreditar e aceitar como normal o prático ter muito mais valor que o cientista? Que agentes públicos outros e empresários em geral têm muito mais valor do que professores? Em que momento entendemos que a economia é tudo o que importa na sociedade?

Quando descobrirmos esse momento, da substituição da ciência e do conhecimento pela crendice e ignorância, saberemos que foi naquele momento que perdemos a condição humana e passamos a ver os outros com desprezo e ódio. Foi quando deixamos de desejar um futuro brilhante para querermos um futuro escuro, opaco e lúgubre, um futuro de somente poucos privilegiados. É o momento em que a ignorância e o ódio venceram o conhecimento e o amor.

Desastre econômico

Já referido aqui que a economia estava cambaleando, havia no horizonte uma grande crise se ajustando. A crise aconteceu e o coronavírus ajudou. Com a parada da economia vemos a riqueza, dos médios e pequenos capitalistas, evaporar. Os pequenos que aplicaram na Bolsa de Valores esqueçam seu capital, senão todo ele, a grande parte dele.

O Governo neoliberal implantado com o golpe de 2016 acabou com as nossas já combalidas e sofridas indústrias e redes econômicas de produção com valor agregado, como indústria naval, petrolífera, aérea, construção civil (incrivelmente são praticamente os mesmos setores destruídos pelo golpe de 1964 – repete-se a história) e a entrega de nossa tecnologia. As teorias liberais e neoliberais demonstraram ser absolutamente nefastas ao país, tornando-o vassalo e submisso integralmente aos países centrais, sem autonomia e independência. Ainda mais quando se tem um presidente que bate continência a bandeira americana.

Agora, o nosso último setor, o de produção agrícola, sofre um baque que poderá produzir de 5 a 10 milhões de desempregados e a quebradeira geral da sociedade. A ideologia boquirrota do presidente e seus seguidores, após romperem relações econômicas com nossos principais parceiros latinos – Argentina e Venezuela -, agora estão rompendo laços comerciais com o nosso principal parceiro econômico mundial, a China. A China é um país não-intervencionista. Sua diplomacia sempre foi absolutamente neutra e recatada. Porém, diante dos ataques que vem sofrendo de parceiros aos quais sempre foram reciprocamente leais, ergueu o tom e diz: “Sempre fomos o melhor parceiro econômico do Brasil, mas podemos nos tornar o pior pesadelo”.

E mais triste, vejo produtores de soja concordando com a família Bolsonaro e pedindo o rompimento com a China. São, definitivamente, alienados e amalucados. E a China anuncia compra de soja americano. Que loucura essas autoimolações.

Desastre econômico II

A grande maioria dos fazendeiros produtores de soja votou em Bolsonaro, e sempre dizem que o BNDES, no governo do PT, financiou países estrangeiros (Cuba, Venezuela ...). Houve várias auditorias no BNDES, feitas por inimigos declarados do PT, e sempre concluíram pela higidez da conduta e financiamentos do BNDES.

Talvez o que não se entenda, por esses anti-PT, seja que o BNDES nunca financiou países estrangeiros, mas financiou empresas nacionais, com garantias reais dos empréstimos dessas empresas em nosso país, para construírem obras contratadas pelas empresas em outros países. Ou seja, criávamos empresas nacionais que vendiam produtos e serviços internacionalmente em reais e traziam riqueza em dólares para o país.

Agora imaginamos o que ocorre no mercado de soja. O Governo, via Banco Central, BNDES e sistema financeiro financia em reais fazendeiros para produzirem soja e fornecerem esse produto a China, retornando dólares.

A forma de agir, com um ou dois intermediários a mais, é exatamente a forma de agir das empresas que prestavam serviços e produtos a outros países (Cuba, Venezuela, Estados Unidos, Colômbia etc), pois os produtores de soja vendem o seu produto a China.

E porque será que era crime quando o que nós vendíamos, pelas nossas indústrias navais, aérea, de construção civil etc, era de produtos altamente sofisticado e com valor agregado. Será que nosso destino, por esses aloprados liberais e neoliberais, seja vender commodities, ou seja, produto agrícola e de mineração sem qualquer valor agregado?

Espero que tenhamos outro futuro diferente do pretendido por esses aloprados.

 

*ADALBERTO PAULO KLOCK é servidor público.

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