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Narrativa (por Adalberto Paulo Klock)

Publicado em: 14/04/2020

 

A história política é a narrativa. Vence quem impõe sua narrativa, e nada mais.

O maior exemplo recente de vitória da narrativa é a Segunda Guerra Mundial. Para todos nós, ocidentais, o grande vencedor da guerra foram os Estados Unidos da América. Porém, de cada dez soldados alemães mortos, oito foram mortos pelos Russos. Os russos foram os primeiros a chegarem em Berlim, foram eles que derrubaram a casamata de Hitler.

Tive o prazer de ter aula de alemão com o saudoso engenheiro de Santa Rosa, José Germano Stammel, homem culto e tranquilo, que pacientemente ensinava, gratuitamente, alemão a quem quisesse. Construiu, só em Santa Rosa, mais de 600 prédios e casas, e merecia ser homenageado pelo Município, uma justa e merecida homenagem a esse grande cidadão santarrosense. Dizia: “suas construções não apresentavam rachaduras”, e a antiga Casa Edi é prova viva.

Ele e a esposa (Dona Gisele) vieram ao Brasil nos idos de 1930, e em 1939 foram, com seus filhos, visitar a família na Alemanha, e estando lá eclodiu a Segunda Guerra Mundial. Obrigaram-os a permanecerem lá durante a guerra, atuando como engenheiro. E contou-me o Professor Stammel, como carinhosamente o chamava, “o exército russo foi amigo dos cidadãos e das famílias alemãs, compadecendo-se com a fome e a miséria encontrada, dividindo com eles o pouco de comida que tinham. Com uma batata fez sopa para diversas pessoas”, dizia.

A Rússia não destruiu, por pura maldade, nenhuma cidade ou matou seus cidadãos. Mas os britânicos e americanos, quando já havia terminada a guerra, destruíram a maravilhosa cidade de Dresden, e nela não havia nenhuma fábrica ou exército importante para ser destruído, havia só civis. A chuva de bombas sobre Dresden foi tanta e criou vórtices de fogo tão intensos que derreteram os corpos. Em bunkers subterrâneos encontravam apenas uma pasta negra, gordurosa e gelatinosa, o que sobrou das várias centenas de pessoas que lá se esconderam. E assim foram, em sua maioria, as mortes em Dresden.

Os americanos mataram, quando muito, um em cada dez soldados alemães, afora sua violência com os civis. Mas se tornaram os grandes libertadores. Por quê? Em função da narrativa histórica. Enquanto Stalin determinou, antes da invasão da Alemanha, que quem praticasse crime contra os cidadãos alemães, ou crime de guerra, responderiam perante o Tribunal Militar Russo, pois, como decretou, ‘Hitler era inimigo dos russos, mas o povo alemão não’. E, após a guerra, determinou também que nenhum soldado, desde o mais raso até os generais, poderia escrever seus feitos sobre a guerra, pois os eventos eram terríveis demais à humanidade, enganadamente acreditava ele.

Já os americanos exploraram e divulgaram seus feitos, em livros, contos e filmes, sempre enaltecendo a honorabilidade e perseverança americana na luta pela liberdade. E essa narrativa, na falta do contraponto pela ausência do outro lado da história, por causa da guerra fria, acabou sendo a verdade.

A verdade, no fim, é apenas uma narrativa, a imposta, a vitoriosa. A verdade poderá ser objeto de teses de historiadores para poucos intelectuais, que nunca poderão mudar essa narrativa no geral da sociedade.

Mas porque não poderão mudar? Vejamos o exemplo da ditadura de 1964.

No Brasil sempre tivemos a narrativa imposta pela força, pelo discurso único através da mídia nacional e pelas forças civis públicas e militares, especialmente. A narrativa, nos momentos de força, especialmente no golpe militar de 1964, foi imposta à sociedade com massiva propaganda, diziam que era a luta contra “o comunismo”. Até hoje ela está no subconsciente da sociedade, onde “comunista” é usado, até por pessoas com curso superior e ditos inteligentes, como pejorativo à pessoa que luta contra a liberdade, contra o Brasil.

Da mesma forma, foi a narrativa do golpe de 2016, que iniciou em 2013 com as manifestações dos R$ 0,20 de aumento da passagem. Naquele momento imperava a liberdade política, não a força. Deu-se liberdade às instituições e à mídia nacional (que até hoje nunca foi regulada e democratizada), e eles criaram uma narrativa de corrupção exagerada que impregnou à sociedade com mentiras. Hoje não adianta mais debater sobre isso, pois a narrativa está no inconsciente da grande maioria da sociedade, e se tornou a verdade.

Os trabalhos e pesquisa de historiadores, economistas, juristas e intelectuais que demonstram ou demonstrarem a falsidade dessa narrativa, atingirão, quando muito, pequena parcela da população e serão apenas livros nas bibliotecas, e nunca terão a força de mudar a narrativa. E a verdade nunca mais será a verdade, mas apenas a narrativa.

Para concluir, é consenso entre os historiadores e intelectuais que para saber a história do Brasil, durante a ditadura que iniciou em 1964, deve-se buscar dados e informações nas notícias e acervos de bibliotecas e governos de outros países, pois aqui os acervos e os que tentaram contar a história do Brasil à época, sob prisma diferente daquela narrativa de força, foram destruídos, apagados e até mortos.

 

(*) Adalberto Paulo Klock é servidor público.

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