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Reinventarte (por Jerson Fontana*)

Publicado em: 04/07/2020

 

 

 

 

 

Como eu vejo as perspectivas do teatro, da arte, após o período da pandemia? Na verdade, no momento, início de julho de 2020, não é possível ver nada claramente para o pós-pandemia e nem mesmo quando as recomendações de Isolamento Social vão acabar. Contudo, é possível tecer algumas considerações.

Quando iniciaram as recomendações para que não se fizessem aglomerações a fim de evitar a contaminação pelo Corona Vírus em nosso país, de um lado nossas atividades públicas como apresentações e oficinas foram imediatamente suspensas e, de outro, passamos, em meu grupo de teatro, a avaliar a situação. Uma primeira medida foi a de suspender as atividades agendadas. No dia 13 de março/20, realizamos a última apresentação do período. Temos feito uma média de cem apresentações por ano, quantidade necessária para a continuidade de nossa empresa, mas em 2020 elas ainda não chegaram a dez.

            Também nos dedicamos a entender o que estava se passando. Percebemos que nossa atividade, a qual reúne centenas de pessoas, não se realizaria no período de mais ou menos um ano. Foi um choque imenso. Reavaliamos tudo o que tínhamos visto. Acompanhamos por cerca de um mês a situação na Itália, no período crítico de contaminação e mortes pelo COVID 19, ouvimos cientistas da área como Átila Iamarino e Miguel Nicolélis, acompanhamos pesquisas do Imperial College, de Londres e outras informações. Os dados apenas confirmavam nossas previsões.

            Restava, então, compreender como conviver com a Pandemia. Acima de tudo, levamos a sério as recomendações para evitar a contaminação e propagação do vírus. Quer dizer: seguir os protocolos. Tempo das individualidades, do eu comigo mesmo neste espaço de confinamento. Suspendi minhas aulas de pilates e de canto. Isolado em casa, criei uma rotina diária, ainda que diferente para cada semana. Levantar tendo algo claro para fazer e uma relação de itens para a ocupação dos dias seguintes é algo que me fortalece. No mais, longos períodos em recolhimento é uma das atividades de minha profissão, de minha vida. Escrevo, pesquiso e confecciono em ambiente solitário. Obviamente, ao mesmo tempo em que me ajustava ao novo cenário, foi necessário pensar e realizar atividades de sobrevivência na crise financeira.

Em relação ao tempo, criei uma explicação dividindo-o em três períodos. Esse de agora, em que minha atividade profissional está toda suspensa, o de um futuro em que minha profissão poderá ser realizada plenamente e um período intermediário a ambos, no qual algumas atividades poderão ser realizadas, adaptando-se a alguns protocolos. A duração de cada período é difícil prever. Contudo, é necessário estimar. O período de agora: cerca de um ano. Iniciado em março, deve prosseguir até o início de 2021. Aquele intermediário: cerca de seis meses. Nenhuma vacina foi criada em menos de quatro anos até agora. No caso do Covid 19, contudo, o prazo pode ser menor. Porém, pode não se dar como desejamos.

            Como vai ser então o teatro e a arte no pós-pandemia? Penso inicialmente sobre o que está sendo a arte num período recente e agora na pandemia. Tão atacada nos últimos anos em nosso país, com grupos organizados interferindo em atividades culturais, agressões a artistas de modo vil e incompreensível para civilizados. Pois, justamente a arte, no período em que estamos vivendo, é uma das áreas que oportuniza entretenimento, ocupa o tempo das pessoas, serve de alento e pode ajudar a compreender e a curar as dores.

            Algo que percebo no momento da pandemia e que poderá se prolongar é a cooperação entre os realizadores das artes e atividades culturais. Se a arte vai se reinventar? Claro. É isso que tem ocorrido desde os primórdios da existência humana. Vai ser difícil para os artistas e demais profissionais ligados ao setor? Extremamente difícil. Este setor é um gigante em nosso país, são mais de cinco milhões de pessoas que trabalham nele. Em função da suspensão das atividades, muitos já migraram para outras profissões, há os que não terão condições de retomar seus projetos, diversos colegas perecem com a doença. Mas a arte continuará. Arte que não é reinventada não sobrevive, com ou sem pandemia. Portanto, ainda que seja necessário repensar todos os dias como ela poderá ser, ela continuará.

*Jerson Fontana integra o grupo de teatro A Turma do Dionísio, de Santo Ângelo – RS, em atividade ininterrupta desde 1986. Realizou 2.480 apresentações em oito países, assistidas por 680 mil pessoas (facebook: teatroturmadodionísio).

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