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De office-boy a juiz de direito

Publicado em: 03/05/2021

De office-boy a Juiz de Direito

O três-maiense que superou as dificuldades e hoje é uma referência na magistratura gaúcha.

Ele foi office-boy, borracheiro, lavador de carros, frentista, agente de segurança da Justiça Federal até assumir a função de juiz de Direito. O três-maiense Sidinei José Brzuska, 45 anos, responsável pela fiscalização das casas prisionais da Região Metropolitana de Porto Alegre (RS) tem muita história para compartilhar. 

Em entrevista exclusiva para o editor da Revista Afinal, Dr. Sidinei relata a sua infância e adolescência em Três de Maio, revela o motivo principal que lhe levou a cursar a Faculdade de Direito e tornar-se juiz, sua trajetória profissional e ainda o gosto pela fotografia. Formado em 1993 pela PUCRS, ele é juiz desde os 29 anos.

 

Conte sua história em Três de Maio.

 Morei os primeiros 18 anos da minha vida em Três de Maio, possivelmente os mais felizes da minha existência. Morava na Rua Santa Catarina, nº 50. A casa está lá até hoje, próximo do Bairro Santa Rita, na época chamada de Vila Popular. Tive uma infância feliz. Muito brinquei. Os campinhos eram de grama. E costumávamos jogar futebol descalços, pois nem todos tinham tênis. Banhos de rio e idas a pé até o Caça e Pesca eram frequentes. A fome era saciada com frutas, retiradas das taperas que existiam pelo caminho. Os meus avós maternos moravam no KM 10, uns três quilômetros depois da ponte do rio Santa Rosa. Ali, naquele interior, passava as férias do colégio. Os primeiros anos de estudo foram no Colégio Dom Hermeto. Quando fiquei sem bolsa de estudo, voltei para o Pio XII, atualmente Colégio Estadual Cardeal Pacelli, onde terminei 1º grau e concluí o 2º grau.

 

 Por que escolheu Direito?

Não entendia a razão de ser de algumas fórmulas matemáticas. Era questionador. Queria saber a origem e o porquê delas. As professoras não sabiam me explicar. E eu não conseguia compreender. Para piorar, algumas vezes fui mandado "para o quadro", na frente de todos, para fazer exercícios que não sabia elaborar. Isso me criou uma certa resistência em relação às ciências exatas. A escolha do curso do 2º grau, de técnico em administração, já foi para fugir da matemática. Nesse curso havia uma matéria de noções básicas de Direito, cujo professor era o advogado Lauri Ângelo Pase. O Pase era um professor apaixonado. Dava uma aula eloquente e tinha um vozeirão. Um belo dia perguntei a ele se a matemática era muito puxada no curso de Direito. Quando ele respondeu que no Direito não tinha matemática, defini o curso que queria. Em síntese, sou juiz porque não aprendi fazer contas.

 

 Antes de ser Juiz, quais foram suas atividades?

Aí em Três de Maio eu trabalhei como borracheiro, lavador de carros e frentista em posto de combustível. Em Porto Alegre, fui office boy e agente de segurança.

Ocasião em que trabalhava como borracheiro. Sidinei Brzuska é o terceiro da esquerda para a direita.

 

 Relate sua trajetória como juiz de direito.

Decidi que seria Juiz aos 21 anos, no 2º semestre da faculdade de Direito. Tracei uma meta de estudos, até aos 30 anos. Tomei posse com 29 anos. Estudei sozinho, sem nenhum curso preparatório. Este ano completo 15 anos de carreira na magistratura, mas já tenho 29 anos de contribuição para a previdência. Comecei a carreira de juiz na cidade de Santo Ângelo. Cruzei pelas cidades de Santa Rosa e Santa Maria, antes de chegar na capital.

 

 O que ficou na lembrança dos tempos de Três de Maio?

Ficaram aquelas lembranças da infância, as boas. Não tenho mais parentes próximos em Três de Maio. Vou com alguma frequência à cidade, uma vez por ano, mas não conheço mais as pessoas por quem passo e nem elas a mim. Apenas dou umas voltas pelas ruas para recordar os tempos de guri. A minha avó paterna, que foi uma segunda mãe, está sepultada em Três de Maio. É ela quem visito.

 

 Lado positivo e lado negativo de ser Juiz?

O lado positivo é que a profissão permite que você faça o bem para as outras pessoas. A realização daquela sensação de Justiça que todos nós carregamos. O lado negativo é que você não para de trabalhar nunca. As pessoas sempre procuram o juiz quando estão com problemas e não conseguiram ou não puderam resolvê-los. Assim, o Juiz torna-se um receptáculo de problemas alheios, muitos problemas graves, outros gravíssimos. E vários sem solução. E não é possível deixá-los trancados no fórum. Eles acompanham o Juiz. Ficam atormentando-o, em casa, na família, no sono, em toda parte. Aliás, esta é a única razão, no meu ver, que justifica o Juiz ter dois períodos de férias. Para tentar desligar um pouco. O Juiz tem que ser uma pessoa descansada e feliz. É péssimo para o jurisdicionado quando isso não acontece.

 

 O que o senhor diria aos acadêmicos de Direito que pretendem seguir carreira no Judiciário?

Caso não sejam vocacionados, não sigam a carreira da magistratura. Não a busquem por status, salário, segurança. Não compensa.

 

 Suas fotos chamam a atenção pelo inusitado. Qual foi a motivação?

As fotos começaram porque as famílias pobres, na qual estão inseridos praticamente todos os presos, praticamente não possuem fotografias familiares, pelo menos antes da era digital. Assim, passei a tirar fotos familiares, em dias de visita na prisão. Depois, dava-as para os presos. Percebi que os presos que grudavam na parede da cela uma foto da família cuidavam mais daquele lugar. E a família é peça fundamental na ressocialização dos condenados. A plasticidade das imagens, como forma de abrir um pouco o sistema, mostrando-o para a população, é coisa mais recente, de uns três anos para cá.


 

 Como foi a sua passagem por Santa Rosa?

Fiquei em Santa Rosa de 1998 até 2002. Foi um período muito bom. Mantenho laços de amizade com vários santa-rosenses, com quem sigo mantendo contato. Pais, avós, tios, seguem morando em Santa Rosa.

 

*Entrevista concedida em 2014 ao editor da Revista Afinal. 

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